Aprender Bodyboard e as Manobras de Bodyboard / 1 de 2

Desde o seu nascimento em 1971, pelas mãos de Tom Morey, o bodyboard tem vindo a evoluir em diversos aspectos. Seja na qualidade das ondas...

Desde o seu nascimento em 1971, pelas mãos de Tom Morey, o bodyboard tem vindo a evoluir em diversos aspectos. Seja na qualidade das ondas surfadas hoje, seja nas manobras ou a própria indústria que deu um salto qualitativo gigante.


Mas as manobras e a diversidade das mesmas é que caracterizam realmente o bodyboard, tornando-o num desporto extremamente radical.

Este é o tema que será abordado neste “manual” sobre as manobras no bodyboard. Tentarei cobrir o máximo possível as manobras conhecidas e algumas que poucos viram acontecer ou, sequer, ouviram falar.

Começando desde a areia, onde é feita uma preparação antes da entrada no mar, e terminando...quando as forças já te faltarem!

PREPARAÇÃO / WARM-UP

Antes de entrar no mar, tem de existir uma preparação física e técnica para o mesmo. Um bom aquecimento é indispensável, bem como uma prévia preparação do material de modo a retirar o melhor partido do mesmo quando te encontrares na água. Comecemos então pelo principio:

WAXING

O Wax, ou parafina/cera, é utilizado em certas zonas da prancha de modo a permitir uma melhor estabilidade quando nos encontramos em cima dela. No fundo, para não escorregarmos ou segurarmos melhor a tábua. Existem duas coisas que deves saber de modo a aplicar o wax de forma correcta:

1 - Que tipo de wax utilizar?

2 - Em que zonas aplicar o wax?

1 - Existem dois tipos de wax que podem ser aplicados. Existe o wax para águas mais frias (Fig. 1), que, por norma, é o mais indicado para as águas do nosso país e existe o wax para águas mais quentes (Fig. 2), como é o caso do sul da Austrália. Esta escolha é importante para que possas tirar o máximo partido da sua função.

2 - Esta questão já fica ao critério de cada rider. Cada um utiliza o wax nas zonas da prancha que bem entender. No entanto, existem duas zonas onde, normalmente, os bodyboarders aplicam sempre o wax: nas extremidades onde são colocadas as mãos e no centro da prancha onde se encontra o nosso tronco.



REMADA / PADDLING

A elementar remada. No fundo, não há grandes dicas a dar em relação a este assunto. Colocas-te em cima da prancha e toca a remar até ao outside. Uma pequena nota se te estás a iniciar no bodyboard: não te limites a deitar na prancha, como quem se deita na cama, e começar a esbracejar até chegar ao objectivo. Nada disso. 


Deita-te na prancha de modo a que o teu tronco esteja suficientemente elevado. Quando estás nesta posição, ao remares com os pés, deves ser capaz de colocar os cotovelos na prancha e sentires-te confortável com a posição do tronco.

Não te esqueças, os cotovelos são para estar SEMPRE na prancha, e não fora dela. Tenta memorizar isto.

BICO-DE-PATO / DUCKDIVING

Este gesto técnico é importantíssimo. O bico-de-pato consiste em passar por baixo da onda quando esta está prestes a rebentar ou já rebentou à nossa frente. É importante que consigas um bom mergulho de modo a passar o mais tranquilo possível pela zona de "máquina de lavar".
O movimento consiste em:

1 - colocar as mãos um pouco acima do centro da prancha;


2 - puxar a prancha na tua direcção até que o nose se encontre ao nível dos teus ombros, exercer pressão para baixo com os braços de modo a afundar o nose e, ao mesmo tempo, exercer pressão com o joelho no tail para que a prancha fique alinhada;


3 - a pressão exercida sobre a prancha terá de ser forte, de modo a que possas ir o mais fundo possível; nesta altura, a outra perna levantará de modo a ajudar ao movimento;


4 - quando atingires o mais fundo possível, colocas o corpo paralelo à prancha de modo a diminuir a resistência o máximo possível;


5 - depois de passar a “bolha”, deixas-te subir com a prancha. Outra dica: se estiveres a remar de encontro à onda, atenta que, ao teres alguma velocidade devido à remada, será mais fácil passares pela onda, pois já levas algum balanço para o mergulho. Se estiveres parado, provavelmente, será mais complicado de passares, mas tudo depende da força que a onda irá exercer sobre ti e o timing do teu duck dive.





TAKE-OFF / DROP


    Nesta altura, o set já está à vista. O teu coração já salta por tudo quanto é sítio ao avistares o set que tanto aguardavas.

     O take-off é a entrada na onda. Mas cada onda tem o seu feitio e cada take-off varia em função desse factor, seja uma onda cavada fundo rocha ou uma onda fundo de areia que peça por uma remada mais forte.

Quando avistares o set, é necessário uma boa leitura da onda, de modo a colocares-te no local privilegiado para a conseguires apanhar.


 Quando te encontrares na zona certa, viras-te de costas para onda e remas até que sintas que esta te leva. Umas vezes é necessário remar com mais força, outras é a própria onda que te leva sem que remes muito. Para ajudar a apanhar a onda, há quem reme com um dos braços para ajudar à tarefa. 


Se a onda que vais dropar é esquerda, utilizas o braço direito para ajudar. Se for direita, utilizas o braço esquerdo. Quando sentires que a onda já te leva, o braço que utilizaste para remar, será colocado no rail que está do lado oposto à onda e um pouco acima do centro da prancha.

Se és novato, tem atenção a isto: entende que só te encontras na onda quando esta já é capaz de te levar sem que faças qualquer movimento.


 É frequente ver os newbies a colocarem-se em posição de drop (descer a onda) e a darem aos pés quando a onda se aproxima. Deste modo vai ser difícil conseguirem sequer apanhar a onda. 


Por isso, espera que a onda te leve e, depois sim, coloca-te em posição para fazeres um bom drop. 


Vê também que, ao remares com as pernas, deves exercer pressão com as duas mãos no nose, de maneira a que este aponte para baixo e te ajude ao take-off.



Outra sugestão: quando a onda se aproxima, podes inclinar-te para trás na prancha, fazendo com que esta se levante e fique com o slick virado para a praia. Depois, dás um impulso para a frente e remas.


 É um modo de ganhares balanço, um impulso extra para conseguires apanhar a onda.

Já agora, se vês que está complicado para se apanhar ondas porque estas chegam com pouca força para te levarem, podes optar por remar com os dois braços. Mas quando o fazes, certifica-te que colocas o queixo na prancha. 


Deste modo, a prancha não levanta, o que permite exercer pressão para baixo e não perderes força/velocidade para o take-off.

Para finalizar, o take-off determina o teu andamento na onda. Para ondas rápidas, é normal que o take-off seja realizado na direcção paralela à onda, em ondas mais lentas, o take-off é feito para a frente da onda.


 Encontrem o vosso ponto de equilíbrio nestes aspectos, e a prática fará a perfeição.

TRAVAR/STALL

O nome diz tudo. Travar consiste em reduzir a velocidade com que cortas a onda. Essa travagem é feita exercendo, com as pernas, pressão contra a parede da onda. É um movimento realizado com muita frequência, principalmente em ondas tubulares, de modo a atrasares o teu andamento para que possas encaixar dentro do tubo. 


Quando estiveres no ponto certo para voltar a acelerar, então, puxas o tronco para a frente da prancha de modo a estares deitado de um modo equilibrado na prancha e possas gerar velocidade.

Outro modo de travar é: elevando o nose e enterrando o tail com a ajuda das pernas. É tudo uma questão de instinto, para entenderes se pretendes travar muito ou pouco.

Bem, já estás na onda. Agora é hora de passar à acção. It’s show time!
MANOBRAS BÁSICAS DE BODYBOARD
A partir daqui, tudo se resume às manobras. No fundo, aquilo que faz do bodyboard um desporto radical, por vezes, de risco.

Comecemos pelas manobras mais elementares, que servirão para “aquecer” para as manobras mais arrojadas:

BOTTOM-TURN
Encontras-te a cortar a onda. Forma-se um lip majestoso, como que um presente de Poseidon num dia de boa disposição.

E agora? O bottom-turn é o movimento exactamente anterior à manobra. Bem, isto é o que normalmente acontece se a onda for grande e permitir criar bastante velocidade e projecção. Já em ondas pequenas, se for apenas para rodar (fazer 360º ou belly spin), então, provavelmente, não irás necessitar de fazer qualquer bottom-turn. 


Mas para as outras manobras, seja mar pequeno ou grande, o bottom é o que ter permite realizar uma manobra de modo eficaz.

O bottom-turn é o movimento que fazes para ir de encontro ao lip da onda de modo a executares uma manobra. Permite gerar velocidade e projecção para que a possas realizar em condições.

Vejamos o conceito prático: se a onda que apanhaste for esquerda, com a ajuda da tua mão direita, levantas um pouco a prancha (no caso pelo rail direito) e inclinas-te para a esquerda. Se a onda for direita, então é fazer o oposto.

A quando desta inclinação – que é feita, obviamente, com a ajuda do tronco -, apenas o teu rail onde se encontra o braço oposto à onda que apanhaste (ou esquerda ou direita), é que se encontra a tocar na água. É esta curva, esta subida na onda que te permite adquirir a velocidade e projecção necessários para bateres no lip.

Mas tem em atenção: se ao dropares fores para uma base da onda que se encontra um pouco flat, vais perder velocidade para executar o bottom e, como resultado, não vais sacar nada a não ser uma “baguete” de manobra.

Outra questão é a seguinte: o bottom não é utilizado apenas quando pretendes realizar uma manobra. Pode acontecer apanhares uma onda bastante tubular e necessitares de fazer um bottom de modo a colocares-te mais na parede da onda para que o lip desta passe por cima de ti. 


O bottom permite que executes este movimento de modo rápido, e não percas a onda.




CUTBACK

Isto sim, já é uma manobra propriamente dita. E é uma manobra que deves conseguir dominar bem cedo, pois é o perfeito auxiliar para muitas outras manobras.

O cutback é um regressar à onda. Quando apanhas uma onda e andas nela, pode acontecer ires parar a um ponto da onda que é mais flat, fazendo com que percas velocidade. O cutback vai permitir-te regressar à onda.
Quando te encontras num ponto mais lento ou simplesmente queres voltar à zona power da onda, para realizares o cutback, tens de descrever um arco para regressares ao seu ponto mais forte.

Elevando a prancha do lado correspondente à onda que apanhaste (com a ajuda do tronco) e exercendo pressão para baixo no lado oposto, vais realizando um movimento semi-circular de regresso à base da onda. Quanto mais pressão exerceres sobre o rail, mais “spray”vais conseguir criar.

Quando terminas o movimento, com a ajuda do peso do tronco, regressas à posição normal em cima da prancha, e continuas a andar na onda.
Esta manobra tem tudo a haver com o rail. É ele que te permite descrever um arco e dar um bom “spray”, o que torna a manobra mais agradável e arrojada à vista.





360º/ BELLY-SPIN
O belly spin, ou 360º, é das primeiras manobras a ser praticada logo de início. É uma manobra de fácil execução, mas que requer algum treino constante, até por uma questão de estilo.

O objectivo da manobra é, tal como o nome sugere, completar uma volta de 360º. Esta rotação é feita no sentido da onda, isto é, se a onda for esquerda, então vais rodar para o teu lado esquerdo, se for direito, rodarás para o teu lado direito.

A chave para esta manobra é o posicionamento físico na prancha. Os passos para a boa execução do belly são os seguintes:

1 - o que te vai permitir rodar, é a força que exerces com o lado oposto ao da onda, mas de encontro à onda, isto é, se a onda é esquerda, a pressão que irás exercer será do lado direito do teu tronco;

2 - para iniciares a rotação, moves o teu tronco para a frente da prancha, auxiliando-te do teu ombro do lado oposto da onda (o direito se a onda for esquerda, ou vice-versa) para impulsionar para o lado que vais rodar;

3 - quando te encontras a rodar, certifica-te que estás completamente equilibrado com a prancha, de modo a que não levantes água, para não perderes velocidade;

4 - para ajudar ao equilíbrio, deves levantar as pernas. Para manteres um bom estilo, cruza-as.

Se tiveres problemas em completar a manobra, pode dever-se a algum destes factores: ou devido à falta de velocidade, ou mau timing na execução da manobra ou ambos.

Para ajudar à execução da manobra, quando esta é realizada de um modo lento ou numa onda que não proporciona muita velocidade, existe um pequeno truque por vezes utilizado, mas, normalmente, como último recurso: é colocar a mão que se encontra no rail lateral um pouco dentro de água, sem que se note tal movimento. No princípio, quando começares a praticar o 360º, poderás vir a tentar rodar colocando o braço, cuja mão se encontra no rail lateral, dentro de água.


 Verás que rodas sem problema algum. A mão funciona como centro do movimento circular que vais executar. 
Um pouco como desenhar um círculo com um compasso. A pequena agulha é o centro do círculo no papel enquanto rodas a ponta de carvão. No caso do 360º, é igual.

Mas tenta treinar sem colocar o braço. Verás que não é fácil no início, mas não desistas à primeira adversidade. Certifica-te, também, que a tua cabaça está virada para o lado que vais rodar. Ajuda imenso ao movimento.
Não te esqueças: no fim do belly, tens de voltar a equilibrar o corpo no centro da prancha.



DROP AÉREO / FREEFALL

Bem, isto não é propriamente uma manobra. Isto acontece, por exemplo, quando a onda é demasiado cavada e nos encontramos no topo da onda. O que acontece é que não a consegues dropar, fazer o take-off, pois vais embicar. Aqui, a onda vai lançar-te para a frente. Ficas completamente fora da onda, e cais na sua base.

O principal a reter é: na queda, tens de te certificar que a prancha se encontra exactamente paralela à base da onda. O nose tem de estar a apontar para a praia. Caso contrário, mandas um baldo enorme.

Tem atenção, numa onda grande, um baldo destes pode ser bastante sério, sendo que te podes magoar com gravidade. Um drop aéreo transmite um feeling brutal, mas tem de ser bem controlado.




Essa matéria foi cedida e autorizada sua reprodução pela site insidebb.

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  1. Dicas valiosas. Tudo no espírito de ajudar. Muito bom. Nos vemos nas ondas!

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